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Brasil pode liderar mercado de carbono, mas precisa agir agora

Projetos brasileiros já são reconhecidos internacionalmente por sua qualidade e diversidade – seja em eficiência energética, preservação de florestas ou práticas agrícolas sustentáveis.

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O Brasil já tem todas as condições técnicas e ambientais para ser protagonista no mercado global de créditos de carbono. O que falta agora é vontade política e coragem para fazer as mudanças estruturais que o setor exige. Projetos brasileiros já são reconhecidos internacionalmente por sua qualidade e diversidade – seja em eficiência energética, preservação de florestas ou práticas agrícolas sustentáveis. Mas estamos perdendo um tempo valioso discutindo o básico, enquanto outros países avançam com regulações, incentivos e metas claras.

Foto: Freepik

Não dá mais para “empurrar com a barriga”. O governo precisa agir em duas frentes urgentes: garantir a qualidade dos projetos e fomentar a demanda por parte das empresas. Isso significa envolver especialistas e a academia para estabelecer critérios mínimos de adicionalidade, rastreabilidade e impacto social. É possível criar um mercado robusto e, ao mesmo tempo, inclusivo – especialmente para projetos em comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, que hoje enfrentam barreiras intransponíveis de custo e burocracia.

Na outra ponta, é fundamental estabelecer metas de descarbonização obrigatórias para as empresas, principalmente nos grandes emissores. Precisamos regulamentar o Escopo 3 do Greenhouse Gas Protocol, que refere-se a todas as emissões indiretas de gases de efeito estufa que ocorrem na cadeia de valor de uma empresa, fora de seu controle direto, mas relacionadas à sua atividade, e também permitir que parte das emissões seja compensada com créditos nacionais. Isso cria um mercado interno forte, movimenta a economia e atrai investimentos estrangeiros.

O mundo está avançando rápido. O Chile já implantou um sistema de comércio de emissões. A Nova Zelândia incluiu o setor agrícola. A Austrália oferece incentivos diretos para quem reduz emissões. E nós? Continuamos discutindo o marco regulatório e concentrando 97% da verificação dos créditos nas mãos de apenas duas instituições internacionais, com custos inacessíveis para quem mais precisa.

Enquanto isso, o Brasil tem a chance de transformar o crédito de carbono em vetor de inclusão social, desenvolvimento regional e inovação tecnológica. Segundo dados da McKinsey, o país tem potencial para movimentar US$ 120 bilhões com projetos sustentáveis até o fim da década. Mas, para isso, precisa de regulação, incentivo e, principalmente, visão de futuro.

Estamos diante de uma oportunidade histórica de alinhar proteção ambiental com justiça social e crescimento econômico. Mas para liderar esse processo, o Brasil precisa sair do discurso e entrar em campo. O tempo da conversa já passou. O que precisamos agora é de ação.

Fonte: Artigo escrito por Fernando Beltrame, mestre pela USP, engenheiro pela Unicamp e CEO da Eccaplan

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Qual tipo de marketing será bastante utilizado no agro nos próximos três anos?

Uso de IA embarcada em máquinas e sistemas de gestão permitirá que empresas transformem dados operacionais em ações comerciais personalizadas no campo.

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Foto: Shutterstock

Com a inteligência artificial (IA) ganhando cada vez mais espaço nas granjas e nas lavouras, um tipo de marketing será amplamente implementado pelo agronegócio durante os próximos três anos.

Trata-se do marketing de dados, conhecido data-driven marketing.

Imagine um trator com IA, coletando dados em tempo real. Em determinado momento, a tecnologia identifica que o trator está consumindo muito combustível, apesar de não ter um problema aparente.

Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio

A fabricante do trator pode utilizar essas informações para oferecer gratuitamente um curso para o operador do trator desempenhar melhor as suas funções.

Essa ação é apenas um exemplo de toda a potencialidade do marketing de dados.

Recentemente, li o livro “Inteligência Artificial”, escrito pelo chinês Kai-Fu Lee, que trabalhou na Google e na Apple. O autor defende que a IA terá o mesmo alcance que a eletricidade tem hoje.

Será um grande impacto! Mas, o agro precisa se mexer mais rapidamente.

Uma pesquisa, realizada pela Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio, aponta que apenas 32% das empresas do agro, entre propriedades, agroindústrias e cooperativas, utiliza IA.

Acredito, conforme falei em entrevista ao Valor Econômico, que esse número chegará a 100% em 05 anos.

Sinceramente, torço para que ocorra antes. O marketing de dados é essencial para o constante fortalecimento do agronegócio.

Fonte: Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica - Comunicação e Marketing no Agronegócio
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Crises internacionais expõem dependência do agro brasileiro por fertilizantes e diesel

Aumento dos custos e risco de desabastecimento colocam em xeque a produtividade e a segurança alimentar.

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Foto: Divulgação/Aprosoja-MT

As guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Estados Unidos e Israel contra o Irã configuram uma crise que descortina ângulos inéditos da realidade e impõe reflexão estratégica. Ela irradia efeitos que transcendem o campo militar e alcançam, com intensidade, a segurança alimentar global. Para o Brasil, potência agrícola de dimensão planetária, a instabilidade internacional revela uma vulnerabilidade estrutural: a dependência externa de fertilizantes e de diesel.

Mais de 80% dos insumos utilizados na agricultura brasileira têm origem no exterior. O País importa mais de 40 milhões de toneladas anuais e ocupa a posição de quarto maior consumidor mundial, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Potássio, cálcio e nitrogênio compõem a base nutricional das lavouras, enquanto a soja absorve mais de 40% do volume aplicado. Essa dependência, tolerada por décadas em razão de custos e conveniências econômicas, tornou-se fator de risco em um cenário de rupturas logísticas, sanções comerciais e volatilidade de preços.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).

A escalada dos custos dos insumos, agravada pela escassez global, impõe ao produtor rural decisões difíceis. A tendência de redução no uso de fertilizantes compromete a produtividade e projeta impactos diretos sobre a oferta de alimentos. Ao mesmo tempo, a elevação do preço do petróleo pressiona o custo do diesel, essencial à operação das máquinas agrícolas, enquanto o transporte marítimo enfrenta encarecimento do frete e restrições de navegação. O resultado converge para um ciclo de aumento de custos que alcança toda a cadeia produtiva e recai, de forma inexorável, sobre o consumidor.

Santa Catarina já experimenta esses efeitos. A necessidade anual de aproximadamente 500 mil toneladas de fertilizantes para o cultivo de 1,4 milhão de hectares evidencia a dimensão do desafio. Culturas como soja, milho, arroz e trigo, além da fruticultura e da horticultura, dependem diretamente desses insumos para viabilizar a produção em solos de baixa fertilidade natural.

A contradição brasileira reside no fato de possuir abundância de matérias-primas, como gás natural, rochas fosfáticas e reservas de potássio em Sergipe e no Amazonas, e, ainda assim, não alcançar competitividade industrial. A desindustrialização e a ausência histórica de prioridade estratégica para o setor consolidaram a dependência externa.

Diante desse quadro, a busca pela autossuficiência deixa de ser uma aspiração e assume caráter de necessidade/prioridade nacional. O Plano Nacional de Fertilizantes representa um passo relevante ao estabelecer a meta de reduzir a dependência até 2050. Iniciativas como o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, ao prever incentivos fiscais, sinalizam um caminho possível para reverter a fragilidade estrutural.

A OCESC sustenta que o Brasil deve reestruturar sua política de fertilizantes com visão de longo prazo, integrando produção nacional, inovação tecnológica e práticas de manejo que promovam a recuperação e a eficiência do solo. A segurança no fornecimento desses insumos constitui condição indispensável para a soberania alimentar, para a estabilidade econômica e para a proteção do consumidor.

As crises internacionais não podem ser vistas apenas como ameaça, mas como impulso para decisões estratégicas. O Brasil reúne condições para transformar vulnerabilidade em força. A agricultura nacional, pilar da economia, exige uma base sólida que não dependa de fatores externos imprevisíveis.

Fonte: Artigo escrito por Vanir Zanatta, Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
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Tensões no Estreito de Taiwan entram no cálculo econômico das eleições brasileiras de 2026

Dependência do agro da China e da indústria dos semicondutores taiwaneses coloca política externa no centro do debate sobre custos, inflação e competitividade.

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O cenário geopolítico de 2026 situa o Brasil em uma encruzilhada estratégica: enquanto o país ruma para as eleições de outubro, a estabilidade do Estreito de Taiwan deixa de ser um detalhe cartográfico para se tornar um pilar da saúde econômica nacional. Se a distância entre os dois pontos é vasta no mapa, a interdependência é absoluta na prática, transformando tensões no Pacífico em variáveis diretas da política interna brasileira.

O resultado das urnas definirá a longevidade de uma coreografia diplomática complexa, na qual o próximo governo deverá equilibrar a histórica neutralidade do Itamaraty, a voracidade exportadora do agronegócio e a dependência vital da indústria nacional pelos semicondutores taiwaneses.

Desde a retomada das relações com a China na década de 1970, o Brasil mantém adesão ao princípio de ‘Uma Só China’, posição reafirmada pelo governo Lula, que vê a questão como assunto interno de Pequim.

No campo da oposição, nomes como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior enfrentam o dilema entre a afinidade ideológica com as democracias liberais e o ‘pragmatismo do PIB’, já que o agronegócio, base de apoio da direita, depende profundamente da China, que absorve 37% das exportações do setor. Assim, a tendência para 2027, mesmo sob nova direção, seria a manutenção da neutralidade, mas com a abertura de canais mais pragmáticos e seguros com Taipei.

Artigo escrito por Márcio Coimbra, mestre em Ação Política, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia.

Essa política é moldada por uma vulnerabilidade dual. No flanco das exportações, a dependência chinesa torna o país refém da estabilidade logística no Leste Asiático, por onde transita 25% do comércio marítimo global. Um eventual conflito no Estreito dispararia custos de frete e seguros, asfixiando a rentabilidade do campo em um reflexo ainda mais grave do que o visto recentemente no Estreito de Ormuz.

Paralelamente, o Brasil deve trilhar um caminho de integração profunda com o ecossistema tecnológico taiwanês para alavancar sua reindustrialização sob bases modernas. Sem os semicondutores produzidos na ilha, a indústria brasileira, de veículos a máquinas agrícolas de precisão, sofreria um colapso imediato. Esse cenário de ‘apagão tecnológico’ seria um catalisador inflacionário agressivo, tornando a preservação da autonomia de Taiwan uma garantia de sobrevivência para a competitividade nacional.

O próximo presidente terá que gerir o risco da ‘desinflação exportada’ pela China enquanto navega por sanções cruzadas entre Washington e Pequim. O impacto da eleição de 2026 será um exercício de equilíbrio de riscos, pois o Brasil, embora sem peso militar, tem exposição econômica suficiente para sofrer as ondas de choque de qualquer alteração no status quo.

A política externa deve, portanto, evitar que o país se torne um dano colateral, mantendo canais abertos com Pequim e Taipei, que representam países soberanos e independentes, ambos igualmente parceiros estratégicos para a economia brasileira.

E aqui reside o ponto mais importante: o próximo ocupante do Palácio do Planalto herdará a missão de diversificar parceiros comerciais e buscar autossuficiência tecnológica, um desafio monumental que determinará se o Brasil será um ator resiliente ou uma vítima passiva das tensões no Pacífico.

Fonte: Artigo escrito por Márcio Coimbra, mestre em Ação Política, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia.
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